Mente brasilis, devir que não se completa. O pensar como negação dos fatos. (I)

A realidade que nunca chega é um mal que consome muita gente boa. Não tenho evidência de que isso seja algo específico da cultura de esgoto que embriaga as mentes das pessoas em terra brasilis. É o devir que nunca completa-se, sendo assim nunca se forma uma realidade identificável dentro da qual as pessoas se deslocam. É a constante quase transformação. Nunca é o fato, mas a possibilidade. É um fim que nunca chega. É a dialética que não produz síntese. E como me refiro ao dia-a-dia brasilis, então digo que esse horizonte brasilis é sempre a cenoura estendida por uma varinha para motivar o burro a andar.

Analisando trechos de colocações corriqueiras feitas por pessoas comuns no decorrer dos dias é possível pescar vários exemplos dessa anuência com o que nunca se define. Se pode dizer que é um modo de ser. Assim não se compromete com uma tomada de posição. Isso. O sujeito brasilis tem pavor de tomar uma posição. Os motivos? Os mais variados: ignorância, preguiça, tolerância por conveniência, safadeza… Há tantos fatores.. Não necessariamente todos juntos, mas até que não é algo impossível. A suprema iniqüidade.

Um exemplo:

“Do jeito que as coisas vão, em breve nossa educação estará destruída”

Leia, releia… Procure compreender a frase acima.

Note que a frase acima indica algo ainda não completado. Algo que está por vir se nada for feito para impedí-lo. Ocorre que a realidade nos indica que o que a frase assinalada dá a entender para o futuro é algo que já ocorreu: a educação no Brasil está destruída. Alguma dúvida? Eu não tenho dúvida alguma. Basta, olhar pequenos detalhes como, por exemplo: estudantes universitários que jamais leram um livro, ao menos um que preste, pois quem não lê algo que preste, por conseguinte, não escreve nada que preste, e ainda escreve com erros grosseiros de ortografia. Nem vamos falar em gramática.

Outro exemplo:

Outra colocação muito interessante é aquele que diz que “a Família (instituição) é constantemente aviltada e, portanto, do jeito que a coisa vai, acabará sendo destruída.” Hummm.. Lamento informar, mas isso que está, pela frase, colocado em um futuro incerto, já é algo concretizado, definido. A Família (instituição) está detonada. Basta olhar a qualidade dos filhos dessa Família. E aqui cabe ressaltar uma coisa: não importa que tua Família seja preocupada com transmissão de valores da cultura religiosa, educação, formação, etc. Importa é que, na média, nada disso mais ocorre. Nada disso mais ocorre por variados motivos: desatenção paterna, desestímulo em relação aos valores religiosos, a televisão como meio de alienação, etc. Verifica-se, caminhando e observando a realidade, que o comportamente dos jovens nos revela a destruição da instituição familiar. Há exceções que são mantidas por núcleos resistentes à degradação, mas não se trata mais da média. Quando a média é afetada negativamente, é porque a situação já está pra lá de caótica.

Os dois exemplos que citei anteriormente são bem ilustrativos no que se refere à compreensão da nossa realidade como é. Não é aquele devir que não se completa. A realidade segue regida pela lógica enquanto as pessoas estão regidas por projeções de seus desejos.

Fato: O desejo de uma realidade positiva não resultará em uma realidade positiva. a menos que haja uma ação neste sentido. Não existe a “força do pensamento” manifestando-se na realidade, a menos que essa “força do pensamento” se materialize pela ação humana.

Quero aqui abrir um parêntese:

Dia desses li uma expressão que se trata de uma pérola ilustrativa da podridão moral brasilis: “paciência democrática.”

Parece algo bom, não? Ledo engano.

Vou inserir o contexto:

“Diante de tanta corrupção, imoralidade, decadência e desmandos… nossa “paciência democrática” se esgota.”

É monstruosamente covarde o que está embutido nesse tipo de manifestação do pensamento, pois indica que é possível se conviver com toda podridão até um certo limite. Qual é o limite? Alguém pode informar?

Na medida que aceita-se coexistir com a podridão, obviamente se está, mesmo indiretamente, contribuindo com a própria podridão. E podridão é algo que contamina, que se espalha, que cresce.

Tenhamos sempre em mente uma coisa: no universo tudo tende ao caos caso não haja uma força superior ordenando sua composição. Isso vale para o universo ordenado por Deus. Isso vale para as mais simples relações humanas. O que isso significa na prática? Simples: se deixar o monstro solto, ele vai se alimentar, crescer e, no final das contas, se voltar contra todos.

Dito e feito.

Fechando parêntese.

Como isso tudo me afeta?

Um misto de incredulidade, indignação e… tristeza (?). Não é tristeza a palavra que caberia aqui. Mas agora não consigo puxar essa palavra na mente. É aquele deixar de esperar algo das pessoas. Aí só a Esperança. E a Esperança, por definição, só em Deus.

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